Embora não tenha sido selecionada no edital “Novos Sons Brasileiros” (2025), optei por incluir esta obra no portfólio, pois acredito que cada composição faz parte da minha jornada artística e contribui para o meu crescimento como compositor. Belo Horizonte, 31 de agosto de 2025.

A ESTRUTURA DA BOLHA DE SABÃO, para Orquestra de Cordas: São Paulo Chamber Soloists [SPCS] Belo Horizonte – MG / Brasil (2025/2) Composição por Víctor Diz Q. Leoni (*2000)

SOBRE A Estrutura da Bolha de Sabão, para Orquestra de Cordas, nasce do encontro entre música e literatura, inspirada no conto homônimo de Lygia Fagundes Telles, presente no livro A Estrutura da Bolha de Sabão (1991). Na prosa de Lygia, o título por si só carrega uma tensão paradoxal: a bolha, efêmera e frágil, sustentada por uma ―estrutura‖ quase impossível, abre um campo de imagens onde parece haver uma infinidade de sons a serem evocados. A peça não busca ilustrar a narrativa de forma literal — e talvez ninguém pudesse alcançar o nível poético da autora —, mas sim pincelar a atmosfera que atravessa o conto e o livro como um todo: a São Paulo de Lygia, que não é apenas uma cidade, mas um universo. Ao trabalhar com sua obra, movi-me tanto pela admiração à sua escrita quanto pelo desejo de dialogar com a cidade que ela retrata, especialmente em seu movimento constante de expansão e recolhimento, ruído e silêncio. Concebida para a São Paulo Chamber Soloists, a obra se estrutura em blocos que alternam texturas sutis e gestos incisivos. Recursos como sul ponticello e sul tasto, dinâmicas extremas, variações de articulação e ataques percussivos criam um espaço sonoro em que a música se comporta como matéria sensível: ora translúcida como uma película de sabão, ora densa como concreto. Mais do que representar, a peça propõe um espaço de escuta. Cada gesto é concebido como fragmento: o som que se expande até desaparecer, o eco que insiste, a vibração que permanece no ar. O final é uma reinvenção do caminho — um retorno poético ao núcleo mais íntimo da obra. A capa da partitura remete ao banner da 9ª Bienal de São Paulo, reforçando o diálogo entre artes e linguagens. A Estrutura da Bolha de Sabão é, assim, ao mesmo tempo tributo e busca — um exercício de capturar o instante antes que ele se desfaça. Obrigado, Lygia. Belo Horizonte, MG / Agosto de 2025.

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