https://www.youtube.com/watch?v=VAxJMQHdeEI&list=PLlyE7EjZzJqpIa5R47aT4bL37DncpkfKx&index=5&ab_channel=VíctorDiz

1) Poti-Samburá, para flauta solo [FINAL] 1-2021, ERIC LAMB.pdf_Poti-Sambur_para_flauta_solo_FINAL_1-2021_ERIC_LAMB.pdf)

“Poti-Samburá”, como a maioria das composições de minha autoria, inicia-se através de um nome, o primeiro passo composicional – acredito que seja um bom delimitador e, de certa forma, todo limite é uma forma de incentivo à criatividade. Escrever para flauta – solo ainda por cima – foi um desafio interessante, algo que nunca havia experimentado. O aprendizado foi engrandecedor, não apenas pelas diversas técnicas estendidas que aprendi relacionadas ao próprio instrumento, mas pelo desenvolvimento de toda uma gama elementar, como: textura, registro, dinâmica, andamento, melodia, harmonia (em um sentido melódico), divisão de seções, organização, entre outros. São muitos aspectos a se preocupar, pois lidar com um instrumento exclusivamente melódico e totalmente desprovido de um acompanhamento, leva-nos à uma situação de exposição total e crua do material composicional, não há onde se esconder. Dessa forma, faz-se preciso uma abordagem mais variada para que a peça não seja alguns-minutos-de-pura-monotonia; elementos que funcionariam em um contexto de banda ou orquestra podem não funcionar tão bem em um contexto apenas melódico.

Como disse no início do texto, aprecio compor tendo como base um plano de fundo poético, seja ele apenas uma imagem, ou algo mais profundo como um poema de fato; ou um romance, filme, conto, crônica, música, etc. – de minha autoria ou de terceiros. Grande parte de minha “bagagem musical” se dá através das canções - do universo letrado -, dessa forma, por mais que a peça seja completamente instrumental, acho fundamental uma base narrativa ou apenas pictórica/imagética para compor (mesmo que mais ninguém saiba sobre o significado real por trás). No caso de “Poti Samburá”, por exemplo, a base está em uma prosa-poética com o mesmo nome que – ainda – não escrevi completamente, mas com todas as ideias em mente foi possível transmitir para o papel toda a narrativa para um contexto musical que seria característico (como uma trilha sonora). Por sua vez, esse poema foi inspirado pela obra de J. Guimarães Rosa, “Grande Sertão: Veredas”; também pela “Suíte: Retratos” do Maestro Radamés Gnattali. Ou seja, muitos aspectos regionalistas do Brasil transparecem pela partitura (o próprio Choro) e misturam-se ao universo da música contemporânea de concerto.

As obras apresentadas em sala de aula pelos professores e colegas foram de suma importância para a versão final de “Poti Samburá”; compositores como: Brian Ferneyhough, L. Berio, T. Takemitsu e Salvatore Sciarrino. Pude ver com esses compositores como a composição vai muito além da melodia e harmonia por si só e abre espaço para o gestual, para a intenção sonora; gestos inclusive que, a princípio, achei difícil escrever à minha maneira e não “à maneira de”, algo que beirou o plágio. Porém, ao fim, acredito que com todo o desenvolvimento, correções e mudanças, consegui chegar a um resultado original, “à minha maneira”, o qual me fez muito satisfeito.

~ Víctor Diz