https://open.spotify.com/intl-pt/album/44arQAfrrAHU0mIMJMW5ed?si=1340f9a9d14941c0

5) Macondo 1-2022, VÍCTOR DIZ (3).pdfMacondo_1-2022_VCTOR_DIZ(3).pdf)

Eu sempre tive um pé atrás no que diz respeito à “carreira solo”; na minha vida procuro sobressair uma concepção mais coletiva do mundo e, sinceramente, achava um pouco egoísta ter o foco todo sobre mim (sendo que posso doar meu tempo para projetos que envolvam tantas outras e diversas pessoas) – admito também que nunca gostei de ser o centro das atenções. Nesses últimos anos, por outro lado, notei que nenhum projeto é feito em sua completa solidão, que mesmo um projeto “solo” pode envolver um conjunto enorme de seres humanos e ser construído de uma forma mais coletiva que bandas ou grupos artístico-musicais. Enfim, depois de muito matutar, acho que finalmente chegou o momento de apresentar “meu” verdadeiro lado ao mundo, sem nenhuma timidez. Esse lado que na verdade é uma parte muito pequena de mim e uma parte muito grande dos outros, vários pedacinhos que vieram das pessoas que estão ao meu lado, que passaram pela minha vida, que me influenciaram ou influenciam de alguma maneira, que me ajudam a construir o que externo em compleição artística. A música nunca vai ser sobre a técnica ou teoria, é sobre a escolha de viver e o que você constrói em seu meio – não que eu tenha construído ainda, mas a gente se esforça. O projeto pode até levar o meu nome: “Víctor Diz”; posso até ser o compositor, arranjador e intérprete, mas os próximos singles e álbuns, embora levem esse signo estampado nas artes da capa, são um trabalho realizado por um mar de talentos que estão no “backstage”, gente que torna tudo isso possível.

“Macondo”? Simplesmente não havia outro nome a dar para esse single. Em homenagem à arte, à música, à literatura, à todas as pessoas que passaram por minha vida e que, como disse anteriormente, têm um pedaço de si impressa nessas linhas de partitura. Sinto que finalmente consegui (ou estou conseguindo) encontrar minha identidade artística; identidade que é muito mais difícil de entender que qualquer matéria ou instrumento, com gosto de “vidro e corte” e um “sabor de chocolate” (pelas palavras de Milton e Brant). Macondo é isso: um limbo entre ser e não ser. Como San Vicente, que citei agora há pouco, é aquele lugar que mesmo que alguém protestasse, dizendo que sua geografia pode ser identificada em algum mapa, ainda assim não creríamos na música por esse fato. É por essa razão que Macondo, a cidade de Gabriel García Marquez (assim como San Vicente), nos entoa, mostrando-nos a verdade da realidade de suas avenidas, casas e gentes que não existem, mas amamos - porque existem. Sinto-me exatamente dessa forma com a música, esse limbo entre existir e não-existir, imprimir o que está em minha volta naquele momento único. Nessa procura incessante pelo irreal, eu compreendo o mundo e a vida. Ilumina. Já tentei me afastar da arte, sim. Desde pequenos ouvimos que é um tanto quanto inútil, que necessário é apenas a Medicina, o Direito - e olhe lá! Não que de fato não sejam importantes e nobres. Porém, depois dessa pandemia (como nunca), acho que todos percebemos que a arte não é um mero entretenimento – por mais que possa ser-, muito menos números, estatísticas ou quantas visualizações você alcançou em seu primeiro lançamento. A arte é um veículo, um processo, é a mudança. A arte salva! Por mais que ela não nos garanta a sobrevivência por si só, ela nos dá a vida e um sentido de viver. Se você vive sem um por quê, honestamente, não há nenhuma diferença entre estar vivo ou morto. Como Gabo escreveu em sua solidão-coletiva: “O mundo terá acabado de se foder”, disse então, “no dia em que os homens viajarem de primeira classe e a literatura no vagão de carga.”

É a primeira música que vou lançar pelo meu nome, foi feita com muito carinho e talvez não sejam todos que gostem, mas o processo foi bom demais!

credits

released March 18, 2022

Composition and Arrangement: Víctor Diz (Brazil)

Piano: Víctor Diz (Brazil), Luca Longoni (Italy) and Taras Kuznetsov (Ukraine)

Drums: Daniele Delfino (Italy)

Bandoneon: Guido Gavazza (Argentina)

Double Bass: Miladin Stojkovic (Serbia)

Trumpet and Trombone: Artem Koryapim (Russia)

Saxophone Alto: Alex Fink (U.S.A.)

Electric Guitar: Víctor Diz (Brazil)