https://www.youtube.com/watch?v=pXPgnaXLKWE&list=PLlyE7EjZzJqpIa5R47aT4bL37DncpkfKx&index=3&ab_channel=VíctorDiz
3) A Festa, para quarteto de cordas [FINAL] 1-2022.pdf_A_Festa_para_quarteto_de_cordas_FINAL_1-2022.pdf)
Durante a pandemia de 2020-2021 (se é que podemos afirmar que houve um fim), decidi explorar um outro lado da criatividade e escrever alguns textos que complementassem ou servissem de motivação ao meu fazer musical. Porém, buscava algo que fosse além da música letrada, da canção, e pudesse expressar de forma mais livre e profunda cenas, imagens e sentimentos complexos/espontâneos; textos que não fossem limitados pela prosódia e fluxo melódico, uma descrição fantástica e “alegórica” do discurso musical. Comecei pelas pequenas formas literárias, como poemas e contos curtos. Um dos primeiros contos dessa época foi A Festa.
A integração entre as áreas artísticas sempre foi uma questão de grande interesse para mim, sinto que a obra acumula um maior valor estético quando é contextualizada e concebida não só a partir do som (ou partitura) e que, em alguns casos, pode ser uma forma de destacar ainda mais os desejos composicionais e da escuta. No meu caso, utilizo as artes visuais/plásticas e a literatura. Aliás, sempre começo uma obra pelo título e sua concepção narrativa e cenográfica – é raro que eu comece uma peça pelo âmbito da “técnica” instrumental ou exploração de intervalos e cadências harmônicas, por exemplo – por mais que isso possa ocorrer.
O melhor da literatura é sempre take, risco implícito na execução, margem de perigo que constitui o prazer do volante, do amor [...]. Eu gostaria de escrever somente takes. Júlio Cortázar, “Melancolia das malas”, in: A Volta ao dia em 80 mundos.
Portanto, A Festa situa-se num terreno referencial muito específico: o conto teve como influência o livro Sagarana, de João Guimarães Rosa – publicado em 1946, expoente do modernismo brasileiro; e sua música foi baseada na sonoridade modernista/impressionista do século XX, principalmente dos compositores Maurice Ravel, Claude Debussy e Heitor Villa-Lobos (e seus respectivos quartetos de cordas). A partir de um tema que eu havia escrito há três ou quatro anos e da narrativa de A Festa, optei por desenvolver – orientado pelo Prof. Sérgio Freire - um quarteto de cordas que representasse esses aspectos por meio do som.
Para o planejamento, foi necessário separar os recursos técnicos disponíveis e utilizados por esses compositores em seu contexto histórico (por volta da primeira metade do século XX) e organizar as seções: A-B-A-C-A (Rondó). As escolhas melódicas e harmônicas foram baseadas na escuta incessante de obras como:
I - String Quartet in F (Maurice Ravel, 1903);
II - String Quartet in G Minor, Op.10 (Claude Debussy, 1893);
III - Bachianas Brasileiras No.1 (Heitor Villa-Lobos, 1932).
Outras importantes influências durante o período de composição:
IV - Three Pieces for String Quartet (Igor Stravinsky, 1914-18);
V - Suite Bergamasque: 3. Clair de Lune (Claude Debussy, 1905);
VI – Violin Partita No.2 in D Minor, BWV 1004 (J.S. Bach, 1720).
VII - Daphnis et Chloé (Maurice Ravel, 1909);